quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Novas rotinas da Justiça Infantojuvenil aceleram o destino de crianças e adolescentes acolhidos (Reprodução)

há 18 horas

Um bebê recém-nascido e com doença congênita grave conseguiu, por meio de atos processuais mais céleres da Justiça Infantojuvenil do DF e de atuações proativas da equipe psicossocial da Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ/DF), ser inserido no Cadastro de Adoção em tempo suficiente a lhe permitir ter uma nova família já no primeiro mês de vida. Ele foi adotado ainda no hospital, enquanto tratava as consequências da grave doença. Tendo em vista que sua mãe biológica – moradora de rua e usuária de drogas – e sua família extensa não tiveram condições de acolhê-lo com as limitações de saúde apresentadas, a adoção tornou-se a melhor estrada. No momento em que bebê e família se uniram, a Justiça foi efetivamente promovida.

Esse rápido desimpedimento da criança para a adoção, com a observância de todo o processo legal e de estudos psicossociais importantes, foi possível graças a mudanças nas rotinas dos feitos que tramitam na VIJ/DF e que envolvem crianças e adolescentes em acolhimento institucional no DF. Essas melhorias, que tiveram início em julho deste ano por determinação do juiz da VIJ/DF, Renato Scussel, paulatinamente vêm resultando em desembaraço da situação jurídica de crianças e adolescentes acolhidos, quer seja para reintegrá-los à família biológica ou para cadastrá-los para a adoção.

Uma das medidas adotadas e que se mostrou exitosa foi redistribuir internamente os processos entre os técnicos da Vara pelo nome das crianças e dos adolescentes e não mais por feitos. Com isso, foi possível agrupar todos os processos de uma mesma criança (geralmente cada criança tem três processos na VIJ), possibilitando ao juiz, por meio de relatórios atualizados, saber a real situação de cada uma delas na tomada de decisão.

Na prática, essa junção de processos e o compartilhamento eletrônico dos relatórios entre técnicos e magistrado possibilitaram ao juiz ter mais segurança e elementos para a prática dos atos processuais e, consequentemente, para a tomada de decisão, levando-se em consideração as realidades jurídicas e psicossociais de cada criança.

Nos casos de processos duplos ou triplos, os relatórios mostraram-se imprescindíveis, visto que, muitas vezes, um ato praticado em um processo reflete em outro. Com as informações centralizadas e atualizadas, a resposta jurídica e psicossocial tende a vir mais rapidamente, desembaraçando, assim, a situação dos meninos acolhidos quanto a serem reintegrados à família de origem ou cadastrados para adoção.

Outra importante mudança veio com a designação de servidores exclusivos para cuidar desses processos. Em toda a VIJ/DF (Secretaria Judicial, Assessoria Jurídica e seções técnicas), essa exclusividade resultou em refinamento do trabalho, conhecimento dos pormenores dos processos, estreitamento dos canais de comunicação entre os atores da Justiça Infantojuvenil (incluindo Ministério Público e Defensoria Pública), do governo e das entidades de acolhimento.

Hoje, existem cerca de 500 processos tramitando na VIJ/DF que envolvem crianças e adolescentes em acolhimento institucional. A servidora Nathália Guarilha, da Assessoria Jurídica da Vara, e a supervisora do setor, Cristina Benvindo, acreditam que essa especialização trouxe um novo olhar para os processos e para as crianças que estão por trás deles. “Nós acreditamos que as mudanças implementadas acarretaram maior celeridade processual. Como nós conhecemos bem cada caso, temos mais segurança em atuar. Quando você tem a visão de uma situação na sua integralidade, mais fácil fica identificar o caminho a seguir. Acabamos conhecendo as crianças e os adolescentes pelos nomes. Esses meninos estão em situação de vulnerabilidade, violência e abandono. Quanto mais rápida for a resposta do Judiciário, mais perto de um sentimento de Justiça estaremos”, diz.

Adoção
O supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ/DF (SEFAM/VIJ), Walter Gomes, afirma que os efeitos dessas mudanças já podem ser visualizados em números e que, nesse período, a Vara tem conseguido operacionalizar o princípio áureo que deve reger todas as ações que tramitam na órbita infantojuvenil: a garantia da promoção do bem-estar superior de crianças e adolescentes.

Segundo ele, a definição a respeito do futuro de uma criança que se encontra em regime de acolhimento institucional, quanto a retornar ao convívio de sua família biológica ou a ser inserida no Cadastro de Adoção, mostra que a VIJ/DF tem aplicado as recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no que se refere à necessidade de os processos tramitarem com absoluta prioridade e de as equipes multidisciplinares do Poder Judiciário atuarem com a máxima celeridade na avaliação técnica e na reavaliação da situação jurídica e psicossocial de crianças e adolescentes acolhidos.

Para ilustrar essa afirmativa, Gomes trouxe números de crianças e adolescentes cadastrados para adoção pela VIJ/DF em 2016. Segundo ele, neste ano, foram disponibilizados para adoção, até o momento, 130 crianças e adolescentes, representando um recorde nos últimos anos. A título de ilustração, em 2015, foram 74. “Em 2016, 56 crianças a mais terão a chance de encontrar um lar para viver”, afirma.

Walter acredita que essa iniciativa da VIJ/DF de priorizar as análises psicossociais e jurídicas dos processos envolvendo crianças e adolescentes privados do afeto e da convivência familiar, estabelecendo para tanto fluxo processual e protocolo psicossocial com prazos mínimos a serem fidedignamente observados, vem repercutindo na vida real dessas crianças, dando-lhes, de alguma forma, um pouco de esperança.

Ele também diz que a aproximação estabelecida com as entidades de acolhimento e a fixação de rotinas técnicas com trocas informativas permanentes sobre a real situação dos meninos e de suas famílias fomentam a realização de avaliações psicossociais e jurídicas mais consistentes e fundamentadas a respeito de possíveis reintegrações familiares ou encaminhamentos para adoção.

Em qualquer caso, Walter entende que a Justiça Infantojuvenil vem conseguindo, ano a ano, priorizar o ser humano que há atrás de cada processo existente na VIJ/DF, devolvendo a esses meninos acolhidos dignidade e respeito e, como objetivo final, possibilitando o seu retorno à família biológica ou a conquista de um novo lar por meio da adoção. “Devemos entender o quão importante é a prontidão das decisões judiciais na promoção da felicidade familiar de crianças e adolescentes que passam por situações complexas de violação de direitos”, finalizou.

Original disponível em: http://tj-df.jusbrasil.com.br/noticias/412801126/novas-rotinas-da-justica-infantojuvenil-aceleram-o-destino-de-criancas-e-adolescentes-acolhidos

Reproduzido por: Lucas H.



Supervisor da VIJ/DF fala em artigo sobre preconceitos na escolha do perfil da criança adotiva (Reprodução)

há 19 horas

O sistema legal brasileiro faculta às pessoas interessadas em adotar uma criança ou um adolescente a ampla escolha do seu perfil, como cor, idade, estado de saúde. Entretanto, quando esse direito não é exercido com razoabilidade pode gerar situações embaraçosas, carregadas de preconceitos e de novas rejeições, justamente em desfavor daqueles que já passaram por abandono, violência ou negligência: meninos e meninas que vivem em instituição de acolhimento e estão cadastrados para adoção.

O controvertido tema é abordado no artigo “Adoção e o Darwinismo Social” (clique aqui), de autoria do supervisor Walter Gomes, da Seção de Colocação em Família Substituta da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF). Segundo Gomes, o perfil da criança é definido pelos postulantes à adoção com base em contornos estritamente físicos e, geralmente, não levam em conta sua história, sentimentos e direitos.

Ao traçar um paralelo entre as características do filho natural e do filho adotivo, o supervisor é assertivo: “Quem se propõe a ser pai ou mãe pela via natural não recebe qualquer consulta prévia por parte da natureza/providência a respeito de como gostaria que fosse a criança a ser gerada. Nesse particular, as leis naturais são arbitrárias e impositivas, não admitindo abertura de flancos para possíveis negociações com os progenitores em torno de características ou traços do embrião a se formar”.

Para elucidar a questão, Gomes compara a escolha minuciosa do perfil ideal do filho, de difícil atendimento pelo sistema de justiça, ao darwinismo social e à eugenia, que, segundo ele, “estimulam a crença na possibilidade de seleção de seres humanos com características e traços que denotem superioridade em detrimento de outros tantos que supostamente são rebaixados ou inferiores”.

A título de exemplo, Gomes relembra um caso recente, ocorrido na VIJ-DF, de um casal habilitado para adoção que foi consultado para conhecer a história de vida de uma criança de 6 meses cadastrada para adoção. O casal foi à entidade onde estava a criança e relatou que gostaria de levá-la para ser avaliada por profissionais de medicina de sua confiança e submetê-la a exames mais sofisticados, a fim de condicionar os resultados ao interesse ou não pela adoção, conforme fosse o eventual comprometimento de saúde. De acordo com Walter, a proposta do casal foi prontamente repelida por se constituir uma grave ofensa à dignidade da criança.

O supervisor explica que a adoção visa, primeiramente, à promoção do bem-estar superior da criança ou do adolescente e, secundariamente, ao contentamento dos postulantes. “Por isso, a missão do sistema de justiça é avaliar e selecionar as mais adequadas e afetivas famílias, a fim de garantir um acolhimento adotivo seguro e protetivo para crianças e adolescentes marcados pela tristeza e pelo sofrimento da falta de um lar”, arremata.

Original disponível em: http://tj-df.jusbrasil.com.br/noticias/412790855/supervisor-da-vij-df-fala-em-artigo-sobre-preconceitos-na-escolha-do-perfil-da-crianca-adotiva

Reproduzido por: Lucas H.


Professor de Direito da UNIGRAN fala sobre processo de adoção (Reprodução)

6 de dezembro de 2016
Robson Moraes dos Santos faz parte do Grupo de Apoio a Adoção de Dourados

Conforme o Cadastro Nacional de Adoção – CNA, Mato Grosso do Sul tem 331 pretendentes cadastrados dos 38.013 de todo o Brasil e 224 crianças dos 7.246 cadastros. Isso não significa, porém, que as pessoas estejam hábeis a adoção, afirma o professor de Direito da UNIGRAN, Robson Moraes dos Santos.

Robson dos Santos faz parte do Grupo de Apoio a Adoção de Dourados – GAAD Acolher, que é uma instituição sem fins lucrativos, formada por técnicos e pais que já adotaram. O professor explica que há uma reunião mensal, em que são discutidas temáticas que giram em torno do assunto, bem como há uma troca de experiências. As pessoas que também querem se habilitar para a adoção, pela legislação, também precisam participar dos encontros.

Segundo Santos, problemas são raros devido à avaliação criteriosa, ainda mais durante o que ele chama de “gestação jurídica” – a espera. Conforme o Cadastro Nacional de Adoção – CNA, Mato Grosso do Sul tem 331 pretendentes cadastrados dos 38.013 de todo o Brasil e 224 crianças dos 7.246 cadastros. Isso não significa, porém, que as pessoas estejam hábeis a adoção. O professor explica que tanto local quanto nacional há mais candidatos do que aptos para o ato.

Há outro detalhe importante. No município, das crianças que podem ser adotadas, 60% já são adolescentes, o que seria rara adoção. “Pode acontecer, inclusive, em ação internacional”, revela o professor. Devido a esse fator, passados 2 anos em que não foi adotado, o adolescente é preparado gradativamente dentro da entidade para a vida futura, pois aos 18 anos precisa sozinho “tocar a vida”.
Já 30% tem de 4 a 9 anos, o que significa, de acordo com a avaliação jurídica, que tem um significado de família, na qual o juiz tenta reintegrá-la. “Apenas quando isso não acontece, a criança vai para adoção. Buscam-se parentes, se tem possibilidades de retorno, se não é promovida a ação”, mostra.

Questionado sobre o tempo de expectativa, o professor lembra que trabalha na Vara da Infância e da Juventude desde 2005 e acredita que a espera acaba sendo de 4 anos, em caso de prioridade aos bebês, por exemplo. “Tudo depende do perfil”, avalia. Robson enfatiza que ainda há a preferência pela criança recém-nascida, branca, sem grupo de irmãos, ou seja, apenas por um filho. Santos garante que pela Lei busca-se assegurar os consanguíneos. Há também uma representação aos pais dessas crianças levadas ao acolhimento. Geralmente por drogas, lícitas ou ilícitas somadas à prostituição, por exemplo.

Em uma visão mais local, Santos comenta que há mais crianças indígenas do que não indígenas para adoção. Segundo ele, há uma preocupação nesse sentido. “Busca-se preservar que essa criança ou adolescente esteja dentro da comunidade dela e também dentro da mesma etnia, preza-se muito por isso”, afirma. Mesmo que ela nunca esteve na Reserva Indígena, eles tentam encontrar casais da comunidade aptos na possibilidade dessa criança ser adotada.

Homossexuais que querem adotar também estão inseridos no contexto da região. “Tem parceiros que estão participando, no sentido de que querem constituir família”, lembra o professor. De acordo com ele, tem que demonstrar que existe dentro do contexto deles muita reciprocidade, que não é um desejo de autoafirmação apenas. “A Lei não faz acepção de pessoas, eles têm oportunidades. Para se habilitar, como em outros casos, vão verificar o contexto familiar, como é a vivência, para que não haja constrangimento dentro da própria família”, explica.

Os primeiros passos para a adoção, pela legislação, é que o pretendente tenha o desejo, seja esse solteiro, casado, de qualquer gênero. Após isso, é procurar o Projeto Adotar na Vara da Infância e Juventude do município, onde terá um acompanhamento psicossocial, informações sobre um curso preparatório, entre outros procedimentos, como a documentação necessária e demais encaminhamentos.

As instituições acolhedoras em Dourados são, de 0 de 7 anos, o Lar Santa Rita; para meninas, de 7 anos até 18 anos, o Ebenézer; para meninos, de 7 aos 17, o Instituto Agrícola do Menor – IAME e uma governamental, que é adolescentes, de 12 a 18 anos, o Lar Renascer.

Original disponível em: http://www.agorams.com.br/jornal/2016/12/professor-de-direito-da-unigran-fala-sobre-processo-de-adocao/

Reproduzido por: Lucas H.


Resultado do sorteio da obra "Filhos do Afeto" (Reprodução)

6 de dezembro de 2016

Em "Filhos do Afeto" (Thomson Reuters, por meio de seu selo editorial Revista dos Tribunais – 300p.), a advogada Maria Berenice Dias aborda os vínculos entre pais e filhos e o procedimento adequado de adoção em linguagem suave como obra literária.

A autora trata de temas como casamento e funções parentais, o valor jurídico da afetividade, filiação socioafetiva e homoparental, abandono afetivo e também multiparentalidade.

Também discute sobre a adoção e todos os processos necessários para consegui-la, desde os tipos de adoção – afetiva, nascituro, maiores de idade –, os cuidados ao adotante e ao pai que entrega o filho à adoção. Aborda a devolução da criança adotada e o filho idealizado.

"Nunca é demais lembrar que invisibilidade é a mais perversa forma de punir; E quando se trata de crianças e adolescentes toda e qualquer omissão é criminosa". A autora.


Reproduzido por: Lucas H.


MÃE COMOVE AO RELATAR TRANSFORMAÇÃO DE MENINO RESGATADO EM ORFANATO NA BULGÁRIA (Reprodução)

05/12/16

Extra

RYAN: DO FLERTE COM A MORTE NA BULGÁRIA À VIDA FAMILIAR NO TENNESSE

Quando Priscilla Morse viu a foto do pequeno Ryan, no Facebook, em julho de 2015, ela teve uma certeza: precisava salvá-lo. Moradora de Nashville, no Tennesse (EUA), ela ignorou a presença de um oceano entre ela e o menino, que se encontrava subnutrido em um orfanato de Sófia, na Bulgária, após ser encontrado abandonado na rua. Priscilla, então, partiu para lá com o objetivo de adotá-lo.

NO ORFANATO, MENINO FOI ENCONTRADO SUBNUTRIDO E SEM PERSPECTIVA DE MELHORA

Chegando ao solo búlgaro, encontrou o garotinho pesando apenas 3 kg, aos 7 anos de idade. Passou duas semanas convivendo com Ryan em processo de adaptação enquanto dava entrada na papelada para adoção e traslado do menino para os Estados Unidos. "As fotos não mostram o estado real dele. Quando o vi em seu quarto, tive certeza que ele iria morrer. Implorei ao meu marido para que o adotássemos. A Bulgária é um país lindo, mas não há por lá recursos suficientes para cuidar corretamente de um caso como o dele. Tudo que ele precisava era de um tubo de alimentação", comentou Priscilla, em entrevista ao jornal "Metro".

PRISCILLA E RYAN: PRIMEIRO CONTATO OCORREU EM JULHO DE 2015; A ADOÇÃO VEIO EM OUTUBRO DO MESMO ANO

A adoção ocorreu apenas em outubro do ano passado. Agora, 11 meses depois, Ryan engordou,se encontra saudável e já pesa 10 kg, bem distante do quadro em que foi encontrado. "Meu dedo indicador era do tamanho de sua coxa", relembra a mãe, que também foi adotada quando pequena. "Quando voltamos pros Estados Unidos, fomos direto ao Hospital Infantil Vanderbilt, nem passamos em casa", recorda Priscilla, que já é mãe de outra criança, também adotada há quatro anos.

PRISCILLA EXIBE TRANSFORMAÇÃO DE RYAN, 11 MESES APÓS SUA ADOÇÃO

"Os médicos relataram que nunca haviam visto algo parecido: um menino basicamente passar fome por sete anos e se manter vivo", afirma a mãe de Ryan, que passou a se alimentar sem o tubo apenas em março deste ano. Ele já emite alguns sons, sorri e consegue fazer contatos visuais, segundo Priscilla. "Ainda vão ser necessários muitos anos para que ele evolua concretamente. Mas sei que ele é a criança mais feliz do mundo. Acorda sorrindo e vai dormir sorrindo. É o bebê da família", celebra.

RYAN E SUA FAMÍLIA: RECUPERAÇÃO LENTA E PROGRESSIVA, SEGUNDO MÉDICOS

Ryan é acompanhado de perto por diversos médicos. Segundo diagnósticos em conjunto, ele é portador de paralisia cerebral, que seria a suposta causa de seu abandono, além de um nanismo agudo decorrente de seu longo quadro de subnutrição.

"Eu chamaria a atenção de pessoas que querem adotar uma criança para que olhem com carinho para aquelas portadoras de deficiência", alerta Priscilla, que esta semana, em seu Facebook, postou um texto em homenagem a Ryan. "Seu cabelo é espesso e brilhante, sua pele não é mais pálida, seus lábios estão cor-de-rosa. Agradeço a Deus por me permitir a restauração desta criança", celebrou a mãe em sua publicação. Em tempo: ela administra uma página no Facebook em que exibe o progresso de Ryan em fotos e vídeos.

Original disponível em: http://extra.globo.com/noticias/mundo/mae-comove-ao-relatar-transformacao-de-menino-resgatado-em-orfanato-na-bulgaria-20591646.html

Reproduzido por: Lucas H.

Adoções ilegais de crianças preocupam autoridades (Reprodução)

05/12/2016

De 41 processos de adoção, 27 eram irregulares na Comarca de Arapongas, no período de 2011 a 2014. O número significa que em 65% dos casos, as famílias haviam adotado uma criança sem passar pelo crivo da Justiça. As situações vieram à tona nas mais diversas situações, entre elas, quando as crianças precisavam dar início à vida escolar.

Para quebrar com este círculo vicioso, a Vara da Infância e Juventude da Comarca de Arapongas lançou o projeto “Passo a passo da Adoção Legal”, que incentiva de um lado a regularização de adoções clandestinas e de outro, incentiva mães que não têm condições econômicas nem psicológicas de cuidar da criança, entregar de forma legal o filho à Justiça.

A juíza Titular da Vara da Infância, de Arapongas, Tatiane Garcia Silvério de Oliveira Claudino, ressalta que o projeto, desenvolvido desde 2014, tem por objetivo reduzir o número de adoções ilegais.

“Nós queremos acabar com essa prática. O programa tem o intuito também que as famílias que pretendem adotar uma criança façam dentro dos trâmites legais, ou seja, que venham fazer o cadastro. Para esclarecer o procedimento, fizemos um passo a passo, que acabou dando nome ao projeto”, revela.

O programa incentiva também que pessoas que saibam de gestantes, que estão em situação de vulnerabilidade social e psicológica, comuniquem a situação à Justiça, para que possam orientá-las.
“A nossa equipe, que dispõe de psicólogas e assistente social, vai acolher essa mãe, vai orientá-la e, ao final, se a decisão for de entregar a criança, nós vamos recebê-la. Queremos destacar que essa entrega não é crime, não é ilegal. A mãe pode entregar voluntariamente seu filho à Justiça”, frisa.
A magistrada comenta que, muitas vezes a gestante acredita entregar seu filho para determinado casal é a melhor opção, mas não é.

“Os casais que fazem parte do Cadastro Nacional de Adoção passam por uma série de avaliações, que vão constatar se estão aptos ou não a receber uma criança. Neste processo também são levantadas as razões da adoção, inclusive, se não faz parte de um desejo momentâneo”, argumenta.Tatiane comenta que, com a disseminação do programa, recentemente a equipe da Vara da Infância e Juventude recebeu uma denúncia de adoção ilegal.

A criança recém-nascida estava há quase um mês com um casal. “Constamos que o caso era real e emitimos um mandado de busca e apreensão da criança, que foi entregue para a Casa Lar e, depois, para um casal habilitado. O projeto tem esse objetivo também de evitar que as pessoas passem por esse sofrimento, principalmente a criança e o adolescente”, destaca.

Original disponível em: http://m.tnonline.uol.com.br/noticias/arapongas/46,395645,05,12,adocoes-ilegais-de-criancas-preocupam-em-arapongas.shtml

Reproduzido por: Lucas H.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Filhos adotados conseguem encontrar os pais biológicos usando redes sociais (Reprodução)

03/12/2016

A artesã Rosângela Batista Tatin, de 39 anos, sempre se virou bem com o fato de ser filha adotiva. Mas, aos 35 anos, quando a mãe adotiva morreu, sentiu um vazio que não sabia explicar: precisava saber mais das origens e de sua família biológica. Em abril do ano passado, contou sua história em um grupo fechado de Facebook, onde deixou todos os dados de sua certidão de nascimento. O resultado veio poucos dias depois: um telefone e um endereço.

Como Rosângela, centenas de filhos adotivos têm recorrido a grupos fechados e páginas na rede social para pedir informações do paradeiro de seus pais biológicos. A reportagem conseguiu identificar ao menos dez grupos do gênero, com entre mil e 3 mil membros, mas seus criadores dizem que há mais de cem na rede.

As páginas têm em comum depoimentos emocionados e desesperados daqueles que tentam entender mais de seu passado. Quem as controla são usuários da rede, voluntários de todo o país, de advogada a bancária aposentada. Sem cobrar nada, os grupos fazem uso de ferramentas virtuais que usam cadastros comerciais.

Ilegalidade
A ação é vista com ressalvas pelo Ministério Público Estadual. Mas Rosângela não esperou nem um dia: ligou em seguida para o número que recebeu. "Aqui é a filha da senhora", disse, sem nem saber direito quem estava do outro lado. E assim começou uma conversa que duraria horas e levaria mãe e filha a se conhecerem  "Hoje eu a chamo de mãe e nossa relação é de amizade. Vamos nos ver de novo na Páscoa."

Apesar da distância de quase 800 quilômetros - a filha mora em Mariópolis, no sudoeste do Paraná, e a mãe, em Itajaí, Santa Catarina - marcaram um encontro que aconteceria meses depois. Não havia rancor: Rosângela conta que a mãe adotiva havia contado todos os detalhes - depois, confirmados.
A mãe biológica, Lorena, sofreu nas mãos de dois homens quando engravidou: primeiro pelo próprio companheiro, que fazia faculdade em Curitiba (PR) e "mandou ela se virar". Depois, do pai, que bateu na filha ao descobrir a gravidez e a fez fugir de casa. Foi para Pato Branco, a 17 quilômetros de Mariópolis, para trabalhar como enfermeira. "Ela precisava me dar para alguém senão o pai não a aceitaria de volta", contou Rosângela. Doou a
criança no mesmo hospital onde a teve.

Rede
Rosângela decidiu retribuir a ajuda que teve e criou uma página no Facebook para ajudar outras pessoas. Trata-se de uma trajetória comum nos grupos: a dona da página em que ela publicou sua história, a assistente de administração Maria de Fátima Florentina, de 58 anos, moradora de Praia Grande (SP), também já tinha sido ajudada.

"Fiz de tudo para procurar minha mãe biológica", disse Fátima. Até que um dia recebeu uma dica na rede social de um policial militar do Mato Grosso, dizendo que a mulher tinha endereço na cidade de Nova Era, no interior de Minas. "Percorri os grupos de Facebook dessa cidade até que um socorrista me falou dela", conta.

A progenitora não se interessou pelo contato e logo se esquivou. "Você é minha filha? Mas qual das que eu dei pra adoção?", disse ao telefone.
São minoria os casos que resultam em sucesso. A dona de casa Ana Santos, de 40 anos, de Jundiaí (SP), diz que já recorreu a diversos grupos e até hoje não conseguiu localizar o pai biológico. Apesar de ter todos os documentos do homem e seu nome, só obteve um endereço antigo. "Até procurei na rua, perguntei, mas ninguém sabia."

Cuidados
Apesar da facilidade de ação com as redes sociais, a busca por informações de familiares requer cuidados. Para a psicóloga comportamental Denise Diniz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é preciso evitar a exposição de outras pessoas envolvidas e também se perguntar qual é o objetivo da busca, sabendo das consequências. "Estamos falando de uma busca de identidade e pela própria história. Pode dar muito certo e haver uma aproximação. Mas pode não dar e a pessoa, que já tem uma vida seguindo, ter uma surpresa", diz.

Ela ressalta que é preciso se perguntar sempre antes do porquê se está fazendo essa busca e o que se espera. "Muitas vezes a pessoa vai encontrar alguém completamente diferente da fantasia ou expectativa e pode se frustrar. Por isso a pergunta: o que eu estou esperando disto?"
Ela lembra também que a exposição de informações de outras pessoas - a mãe, por exemplo - nas redes sociais pode gerar constrangimentos, e que a ação deve ser feita com cuidado. "Será que o outro quer ser exposto?"

Reproduzido por: Lucas H.