sábado, 30 de maio de 2015

Mãe diz ser alvo de ameaças por querer devolver os filhos

CASO MONTE SANTO

Silvania diz à reportagem ser favorável a acordo com pais adotivos da região e teme agressão de ex-companheiro

28/05/2015 - 22h40 - Atualizado em 29/05/2015 - 09h49 | Cecília Polycarpo
cecília.cebalho@rac.com.br

Foto: Agência Brasil
Silvania Maria Mota Silva, mãe das crianças de Monte Santo adotas por famílias da região
Mulher está com uma das crianças "devolvidas" na Bahia e o pai, com quatro
A mãe biológica das cinco crianças de Monte Santo (BA) adotadas por famílias de Indaiatuba e Campinas, Silvania Maria Mota Silva, afirmou ao Correio que foi ameaçada de morte por seu ex-companheiro, Gerôncio de Brito Souza, esta semana. Souza mora com quatro dos cinco menores que viviam no Estado de São Paulo até dezembro de 2012. Silvania disse que está impedida pelo homem de ver os filhos e que é agredida frequentemente pelo ex-companheiro. Souza registrou cinco filhos com a dona de casa, mas é pai biológico de dois.
Silvania voltou a afirmar ontem que tem o desejo de que as crianças voltem a viver com as quatro mães afetivas. Um investigador da delegacia de Monte Santo confirmou que recebeu as denúncias da mulher, e disse que boletins de ocorrência contra Souza são feitos pelo menos uma vez por mês. O policial classificou ainda o comportamento do homem como “agressivo”.
As quatro famílias envolvidas no processo de adoção das cinco crianças de Monte Santo deram entrevista coletiva nesta quarta-feira (27) em Indaiatuba e informaram que pedirão prioridade na fila de adoção para recuperar a guarda dos menores. O caso teve uma reviravolta na última terça-feira, após o Tribunal de Justiça da Bahia anular por unanimidade a decisão do juiz Luis Roberto Cappio Pereira, da comarca de Monte Santo, que determinou que os meninos retornassem à mãe biológica na Bahia, em novembro de 2012.
Em entrevista, Silvania disse que Souza ameaçou matá-la com uma “facada” ontem. “Ele fez isso por causa da matéria do SBT. É o que ele sempre faz. Ele vivia me batendo, me dando murro no meio da rua.” Na reportagem veiculada no Jornal do SBT na última segunda (25), a mulher se diz arrependida de ter pedido as guardas de volta.
Silvania contou ter procurado a delegacia de Monte Santo após a ameaça, mas não teria conseguido fazer o boletim de ocorrência. “O delegado não estava.” Outra agressão teria ocorrido há uma semana, quando Silvania voltava da feira com os dois filhos mais novos. “Ele me xingou e jogou meu celular no chão. A tela quebrou. Procurei ajuda da delegacia. Mas eles não fazem nada. Estou sozinha.”
A dona de casa contou passar por sérias dificuldades financeiras e não poder pagar aluguel. Hoje, ela mora com parentes e os dois filhos mais novos, um menino de 3 anos e outra menina de 4. A garota foi uma das crianças levada de Campinas, depois de ter morado dois anos com a médica Letícia Cristina Fernandes Silva. Silvania disse temer que “o pior” ocorra com seus filhos em Monte Santo.
“Eles não têm futuro aqui. A minha vontade é de mandar para Campinas. Eu converso com as mães (adotivas). Elas são mães deles como eu. São filhos meus e delas. Eu trouxe as crianças e agora quero devolver. Vou fazer o possível. Não vou me perdoar se algo de ruim acontecer com eles”, disse. Silvania comentou ainda que sua entrevista para o SBT repercutiu na cidade. Ela afirmou se sentir julgada pelos moradores. “Eles acham que as crianças devem ficar aqui. Não entendem.”
As famílias afetivas iniciaram, em setembro do ano passado, contato telefônico com Silvania. A informação foi divulgada anteontem, em coletiva de impressa na Câmara de Indaiatuba. Por telefone, as mães afetivas falaram com as crianças, que lembraram da rotina em São Paulo e teriam dito que querem voltar.
A reportagem entrou em contanto com a delegacia de Monte Santo, mas o delegado responsável não estava no local. No entanto, o investigador Edson Brito dos Santos confirmou que Silvania vai frequentemente à unidade fazer boletins de ocorrência contra o ex-companheiro. “São várias ocorrências de agressão”, contou. Santos confirmou que o homem tem passagens na polícia por furto, ameaças, porte ilegal de armas e estupro.
Conselho defende permanência
O coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca/Bahia), Waldemar Oliveira, afirmou que, segundo informações que chegam ao órgão, Gerôncio Souza cuida bem dos filhos, desde que assumiu a responsabilidade financeira pelas crianças. “Ele agiu de forma correta. Não temos informações de ameaças. Essa é toda a informação que tenho”, falou.
Oliveira disse que, para a entidade, as crianças devem permanecer em Monte Santo, mas que a decisão será tomada em conjunto com o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, Fórum de Defesa da Criança e do Adolescente e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia. “Não vamos impor a nossa vontade. Quem tem que se posicionar na verdade é o juiz ou juíza do caso.” Para Oliveira, o processo de adoção das crianças foi ilegal porque pulou etapas. Ela falou ainda que os advogados do Cedeca estão disponíveis para auxiliar juridicamente Silvania, mas que a mulher não teria mais procurado a entidade.
Já para a advogada de três das quatro mães afetivas, Lenora Thais Steffen Todt Panzetti, Silvania está em uma situação de risco. “O próprio Gerôncio disse que a vida da mulher está por um fio. Que dará cabo dela. As autoridades precisam urgentemente fazer alguma coisa.”
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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um crime de imprensa: como o Fantástico matou o futuro de cinco crianças


Atualizado às 14h
“Nas vésperas da estreia de "Salve Jorge", da Rede Globo, uma série de reportagens do  Fantástico aproximou  o enredo da nova novela - que tratava de tráfico de pessoas - da vida real. Era a história de uma quadrilha de mães paulistas que foram a Monte Santo, na Bahia, e, supostamente mancomunadas com um juiz local, tiraram cinco crianças de uma única família para dá-las à adoção.
O JornalGGN começa, hoje, a contar a verdadeira história das crianças de Monte Santo, cujo processo de adoção foi transformado em um espetáculo que tornou seus protagonistas -- famílias em busca de crianças carentes, facilitadores de adoção, juízes e conselhos tutelares -- em integrantes de uma quadrilha de tráfico de crianças.
Tirando o espetáculo e consideradas as provas pacientemente colhidas pelos acusados, sobram pessoas que tiveram as suas vidas invadidas e crianças transformadas em joguetes”.
Assim começava a série que o Jornal GGN lançou, em 6 de maio de 2013. Para estimular uma novela, foi montada uma das maiores farsas da história .com..comcom.comda mídia brasileira, criminalizado o instituto da adoção e, principalmente, jogado fora o destino de cinco crianças.
Um juiz sério foi tratado como criminoso. Um juiz polêmico – que, inclusive, terminou afastado de suas funções pelo Tribunal de Justiça da Bahia – transformado em herói contra o crime.
A politização da Secretaria de Direitos Humanos, nas mãos de uma Ministra despreparada, Maria do Rosário, transformou o sagrado instituto da adoção em uma forma de exploração capitalista, na qual os pais adotivos se atiram como aves der rapina contra o último bem do pobre: seus filhos.
Leia mais: Maria do Rosário e Fantástico ocultaram conclusões da CPI
Em nenhum momento se pensou nas crianças. Elas se transformaram em simples joguetes para que ONGs ligadas a partidos tentassem avançar sobre os conselhos tutelares, a Ministra pudesse se promover no Fantástico e o Fantástico e o Jornal Nacional pudessem promover sua novela.
Uma senhora caridosa, digna, mãe de crianças adotadas, preocupada em encaminhar outras crianças para adoção foi tratada como traficante. E esse show de horrores não parou por aí. Investiu contra uma juíza séria, responsável por um trabalho exemplar em Santa Catarina. Apenas porque o show não podia parar.
As crianças foram tiradas a toque de polícia das famílias que as acolheram e jogadas no inferno de um lar desfeito. Para impedir que o crime continuasse sendo denunciado, a Globo pagou as despesas da família durante algum tempo, retirando-a da cidade de Monte Santo. Durante o episódio, o repórter da Globo foi flagrado dando dinheiro para o pai biológico, um marginal com ampla ficha policial apresentado pelo Fantástico como homem trabalhador e honesto querendo o bem dos filhos.
Passado o show, encerrada a novela, tem-se o drama da vida real: crianças abandonadas, sem futuro. E uma mãe biológica arrependida de ter aceito o suborno de uma estação de TV mancomunada com o poder público.
Ontem foi o Dia Nacional de Adoção. E o Jornal do SBT foi atrás das crianças.
Com o devido perdão aos leitores pelo desabafo: que os autores desse crime sejam amaldiçoados, que sofram na pele o que sofreram essas crianças e as famílias que as acolheram.
Aqui vocês tem o link para o dossiê montado sobre o tema.
--
Da RAC
Cecília Polycarpo
O Tribunal de Justiça da Bahia anulou nesta terça-feira (26) por unanimidade a decisão do juiz Luis Roberto Cappio Pereira, da comarca de Monte Santo (BA), que determinou que cinco crianças adotadas por famílias de Indaiatuba e Campinas retornassem à mãe biológica na Bahia, em novembro de 2012. As quatro mães adotivas e o Ministério Público (MP) baiano pediram a anulação da sentença sob a alegação de que Cappio foi parcial ao julgar o caso.

Com a decisão, toda a instrução do processo será refeita e o caso será julgado novamente. Em entrevista ao SBT veiculada segunda-feira, a mãe biológica das crianças, Silvania Maria Mota Silva, expressou arrependimento por ter pedido os filhos de volta. A advogada das famílias irá negociar com Silvania a devolução amigável das crianças enquanto o processo não é reaberto.

“A decisão anulada significada que o juiz não apreciou o processo como deveria. Ele deveria ser instruído, deveria ter ouvido famílias, crianças, psicólogos. Nada disso ocorreu. Agora o processo será reaberto”, disse a advogada de duas mães, Lenora Thais Steffen Todt Panzetti.

As crianças foram adotadas em junho de 2011, quando o juiz Vitor Manoel Xavier Bizerra, com base em documentos apresentados pelo Conselho Tutelar de Monte Santo, e com o aval do MP, determinou a retirada das cinco crianças de Silvania. Em sua decisão, alegou que os menores sofriam maus-tratos.
Em novembro daquele mesmo ano, o juiz Luis Roberto Cappio, que assumiu a Comarca de Monte Santo, revogou a decisão e determinou o retorno dos menores à Bahia, após quase um ano e meio de convívio com as famílias substitutas, que tentavam a guarda definitiva das crianças.

As famílias adotivas foram acusadas de participação em um esquema de tráfico de crianças no interior baiano. O esquema, inclusive, teria participação do juiz Vitor Bizerra. As denúncias foram apresentadas pelo então juiz do caso, Cappio, que chegou a afirmar que estava sofrendo ameaças dos supostos traficantes.

O caso foi parar no Congresso Nacional, na CPI que apurava o tráfico de pessoas, mas nada ficou comprovado. Até hoje, não há nenhuma prova que sustente as afirmações de Cappio.

Por conta das denúncias contra Bizerra, o magistrado segue afastado das funções. Cappio também foi afastado. Documentos analisados pelo Ministério Público da Bahia e Tribunal de Justiça daquele estado mostraram que o juiz Cappio mentiu por diversas vezes no processo. Uma das farsas dizia respeito às ameaças sofridas. Ele chegou a usar colete a prova de balas e andava com agentes da Polícia Federal. O próprio Cappio, em depoimento a corregedores do TJ, afirmou que mentiu em relação às denúncias.

O magistrado também foi considerado suspeito de julgar o caso. Ele chegou a posar em fotos com a família de Silvania no dia do retorno das crianças à cidade de Monte Santo, em dezembro de 2012.
A gravidade das falsas denúncias foi tamanha que o Tribunal de Justiça da Bahia chegou a questionar a sanidade mental do juiz, que responde a dezenas de processos no Tribunal de Justiça. Vitor Bizerra também está sub judice do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), porém, ele tem parecer favorável à sua absolvição, mas depende de julgamento do pleno do Conselho, o que não tem data para acontecer.

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terça-feira, 26 de maio de 2015

Adoção

"video adoção" no YouTube - feito pela equipe de Berenice Bellato a partir das fotos enviadas para o painel. Música de Nando do Cordel. Gravura de abertura de Marina Papi. https://youtu.be/MgLJh5A_ub8

Após veto de guarda, crianças adotadas voltam para a família adotiva em Indaiatuba, SP


http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv-2edicao/videos/t/edicoes/v/apos-veto-de-guarda-criancas-adotadas-voltam-para-a-familia-adotiva-em-indaiatuba-sp/4208911/

Dia Nacional da Adoção: depoimento do casal Koscheck no XII Seminário LGBT


Quando decidiu que era hora de ampliar a família, o casal Koscheck ainda não sabia que naquele amor poderia caber não apenas um, mas quatro filhos, três deles com HIV. Rogério e Weykman foram convidados para compor a mesa de abertura do XII Seminário LGBT do Congresso Nacional e contaram toda a sua história, desde a decisão pela adoção, a decisão por adotar quatro irmãos - uma menina com 11 anos, outra com dois, um menino com um ano de idade e uma bebê com dois meses, que cresciam em um abrigo, e a luta pelo direito à licença-adotante integral.

Há algo melhor para comemorar o Dia Nacional da Adoção do quê uma emocionante história?

(ASCOM)
— com Rogerio Koscheck e Weykman Padinho.

https://www.facebook.com/jean.wyllys/videos/vb.163566147024734/890415934339748/?type=2&theater 

SBT BRASIL - MONTE SANTO



http://www.sbt.com.br/sbtvideos/programa/26/SBT-Brasil/categoria/1787/e3de44e8aa1023a7d96c93b84dc27b6f/Cinco-criancas-vivem-em-meio-a-disputa-judicial.html#.VWUuu0apKy_

Justiça anula decisão que determinou volta de crianças adotadas para a BA

26/05/2015 18h32 - Atualizado em 26/05/2015 19h18

Famílias adotivas de SP pedirão o retorno das crianças de Monte Santo.
A decisão, que foi tomada por unanimidade, ainda cabe recurso.

monte santo; bahia (Foto: Reprodução/TV Bahia)Mãe denuncia adoção irregular em Monte Santo
(Foto: Reprodução/TV Bahia)
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiu em julgamento realizado nesta terça-feira (26), em Salvador, pela anulação da sentença que determinou a volta para os pais biológicos das cinco crianças baianas adotadas em Monte Santo, a cerca de 352 de Salvador, por famílias de Campinas e Idaiatuba, em São Paulo, em junho de 2011.
A decisão dos desembargadores Gesivaldo Nascimento Britto, Regina Helena Ramos Reis e Dinalva Gomes Laranjeira foi por unanimidade e ainda cabe recurso. Segundo o Tribunal de Justiça, os desembargadores deram provimento às duas apelações do Ministério Público e da advogada das quatro mães adotivas com o objetivo de anular a sentença de adoção.
De acordo com o TJ-BA, devido à anulação da sentença, as famílias de Campinas e Indaiatuba vão pedir o retorno das crianças de Monte Santo. O Tribunal afirma que elas poderão entrar com novo pedido de adoção.
Em 2012, o juiz Luis Roberto Cappio Pereira decidiu favoravelmente aos pais biológicos. Os cinco filhos da lavradora Silvânia da Silva voltaram com a mãe para a cidade de Monte Santo no dia 23 de dezembro de 2012.
Caso
O casal Silvânia e Gerôncio da Silva, pais das crianças, afirmam que elas foram retiradas de casa pela polícia, de forma irregular, em junho de 2011, após ordem do juiz Vítor Manoel Xavier Bizerra, que na época atuava em Monte Santo. O caso foi denunciado no Fantástico, da Rede Globo. Dos cinco filhos do casal, dois foram levados para Campinas. Os outros foram para Indaiatuba, cidade vizinha. Em 27 de novembro de 2012, o juiz Luiz Roberto Cappio determinou que as cinco crianças baianas voltassem a viver com os pais biológicos.

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/05/justica-anula-decisao-que-determinou-volta-de-criancas-adotadas-para-ba.html